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"Prioridades. O que são prioridades Afonso? Posso-me rir? Devo rir ou chorar?
Parece que te estou a culpar de tudo de mau que aconteceu conosco mas podes acreditar no contrário, eu não te culpo de nada, aliás, culpo-me mais depressa do que a ti. Mas diz-me, o que são para ti prioridades Afonso? 


Daria tudo para saber o que pensaste, se é que pensaste em alguma coisa resposta.
Lembro-me como se fosse hoje, tu dizias que eu era a tua prioridade. Posso-me rir? Devo rir ou chorar? Como é que eu poderia ser a tua prioridade?
Eu esclareço-te. Para mim prioridades é saber dizer o que merece ser feito em primeiro lugar. Neste especifico caso, significa o que devemos fazer com mais urgência, com mais atenção, com mais cuidado, com mais tempo, mas principalmente, quero dizer que prioridades é aquilo que damos às coisas, pessoas ou situações consoante o que queremos fazer com mais vontade (ou não)
Ando a repetir-me muitas vezes? Já mencionei que vontade é tudo nesta vida? Provavelmente não te disse: vontade foi tudo o que eu não senti que tiveste para comigo. O quão grave te parece que isto soa? Para mim, neste momento, soa-me muito grave. Eu primeiro senti que tu não tinhas vontade, vontade de estar comigo, de viajar comigo, de jantar comigo, de me levar ao cinema, que não tinhas vontade de me ouvir e depois, só depois, apenas mais tarde, consegui sentir que tinhas vontade de me despir… Eu não sentia mais vontade da tua parte para comigo. Assim como deixei de sentir que era a tua prioridade. 

Esta era a segunda parte da carta que eu gostava de ouvir o que tinhas para me dizer antes de continuar a dizer-te tudo aquilo que só consegui entender agora

Mas devo mencionar, que também me habituei a monólogos. Estranho não? Sermos dois e eu me habituar a monólogos … não achas estranho Afonso? Pois, mas é verdade, não é? Tu nunca falavas. Eu falava, tu fingias que ouvias, acenavas com a cabeça e como se me quisesses calar respondias «O que queres que te diga?»
De rir, não achas? Como se dissesses «Vá, para te calares, diz-me o que queres que responda, eu direi e fica tudo bem outra vez».
 
Visto de fora não achas que deveria ter terminado a nossa relação à muito mais tempo por causa da tua atitude egoísta, indiferente e … ? Nem encontro um adjetivo que caracterize tamanha atitude. Desculpa pela minha falta de vocabulário para ti e para te descrever.
Mas posso mostrar-te mais da minha «falta de capacidade» de te descrever ou caracterizar.

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